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Atualidade  

O futuro dos carros autónomos: onde estamos e o que falta para chegar às estradas portuguesas

18-06-2026
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O futuro dos carros autónomos: onde estamos e o que falta para chegar às estradas portuguesas

18-06-2026

O futuro dos carros autónomos: onde estamos e o que falta para chegar às estradas portuguesas?

Imagine entrar no carro, indicar o destino e simplesmente relaxar enquanto o veículo faz todo o trabalho. Parece algo saído de um filme de ficção científica, mas a verdade é que os carros autónomos estão mais próximos da realidade do que muitos imaginam.

Grandes fabricantes automóveis e empresas tecnológicas investem milhares de milhões de euros todos os anos para tornar a condução autónoma uma realidade. Mas afinal, quando veremos carros sem condutor nas estradas portuguesas?

A resposta é mais complexa do que parece, isto porque a condução autónoma não acontece de um dia para o outro. Trata-se de uma evolução gradual e muitos dos sistemas que associamos aos carros do futuro já fazem parte do nosso presente.

Travagem automática de emergência, manutenção na faixa de rodagem, cruise control adaptativo ou estacionamento assistido são exemplos de tecnologias que já equipam muitos automóveis atuais, desde o Peugeot 3008, Hyundai TUCSON, Kia Sportage e Mazda CX-60, até ao Mitsubishi Eclipse Cross, Fiat 600e, Abarth 600e, Alfa Romeo Junior ou Jeep Avenger, disponíveis na Cardan, já incorporam sistemas avançados de assistência à condução que representam os primeiros passos rumo à condução autónoma,.

Por isso, antes de perguntarmos quando veremos carros totalmente autónomos em Portugal, é importante perceber uma coisa: nem todos os carros autónomos têm o mesmo nível de autonomia.

De 0 a 5: a escala que define tudo

Para classificar a evolução da condução autónoma, existe uma escala internacional criada pela SAE International (Society of Automotive Engineers International – Sociedade Internacional de Engenheiros Automóveis), que divide a autonomia em seis níveis, desde os veículos totalmente dependentes do condutor até aos automóveis capazes de circular sem qualquer intervenção humana.

  • Nível 0 – Sem automação
    O condutor faz tudo. O automóvel pode emitir alertas ou avisos, mas não assume qualquer tarefa de condução.
  • Nível 1 – Assistência à condução
    O carro começa a ajudar em determinadas funções, como o cruise control adaptativo ou a assistência à direção.
  • Nível 2 – Automação parcial
    O veículo consegue acelerar, travar e manter-se na faixa em simultâneo, mas o condutor continua a ser responsável pela condução e deve manter-se sempre atento.
    É neste nível que se encontra a maioria dos automóveis mais modernos. Na prática, muitos condutores já conduzem um automóvel parcialmente autónomo sem se aperceberem disso.
  • Nível 3 – Automação condicional
    É aqui que as coisas começam verdadeiramente a mudar. O carro consegue conduzir de forma autónoma em determinadas situações e apenas solicita a intervenção do condutor quando necessário.
  • Nível 4 – Elevada automação
    A intervenção humana deixa de ser necessária em zonas ou condições específicas. O veículo é capaz de realizar praticamente toda a condução sozinho.
  • Nível 5 – Autonomia total
    O cenário que vemos nos filmes de ficção científica. O automóvel é totalmente autónomo, dispensando volante, pedais e até a presença de um condutor.
    Ainda estamos longe deste nível, mas o caminho já começou.

E Portugal? 

Durante anos, Portugal foi um dos poucos países europeus sem qualquer enquadramento legal para testar veículos autónomos em vias públicas. Enquanto países como a Alemanha, França, Espanha ou Finlândia criavam legislação experimental para permitir testes em condições reais, Portugal permanecia parado. Mas isso mudou em 2026.

O Governo português publicou o Decreto-Lei n.º 113/2026, que abre a porta a fabricantes, laboratórios de investigação e instituições de ensino superior que queiram testar tecnologias de condução autónoma em condições reais. Os pedidos de teste passam pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) para validação técnica, cabendo às autarquias a emissão de pareceres sobre percursos e horários em contexto urbano, em articulação com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR). Por enquanto, a presença humana no veículo continua a ser obrigatória. Ainda assim, o primeiro passo está dado. Centros como o CEiiA - Centro de Engenharia e Desenvolvimento já trabalham em componentes e sistemas relacionados com veículos inteligentes e mobilidade conectada, e Portugal participa em vários programas europeus de investigação nesta área.

O que falta para os carros autónomos chegarem ao dia a dia?

A tecnologia já existe. Os maiores desafios estão, na sua maioria, fora do próprio automóvel.
  • Regulamentação clara e uniforme: A União Europeia continua a trabalhar na harmonização do enquadramento legal, mas ainda existem questões importantes por responder. Quem é responsável em caso de acidente? O fabricante, o proprietário ou a empresa que desenvolveu o software?
  • Infraestruturas inteligentes: Para que a condução autónoma funcione de forma segura e eficiente, é necessário que as infraestruturas estejam preparadas. Semáforos conectados, sinalização digital e redes 5G com cobertura real serão fundamentais. Muitas estradas portuguesas, sobretudo fora dos grandes centros urbanos, ainda estão longe desse cenário.
  • Privacidade e cibersegurança: A recolha e o processamento de dados dos veículos, necessários para o funcionamento da inteligência artificial, levantam questões de privacidade e segurança digital. Afinal, um carro autónomo é também um computador sobre rodas.
  • Custo e acessibilidade: Sensores LiDAR, câmaras de alta precisão e processadores avançados continuam a representar um custo significativo. Tal como aconteceu com os veículos elétricos, a democratização desta tecnologia dependerá da evolução dos componentes e das economias de escala.

O que significa isto para quem compra um carro hoje?

Não é preciso esperar pelo Nível 5 para beneficiar desta revolução. Muitas das tecnologias que vão dar origem aos automóveis totalmente autónomos já estão presentes nos veículos atuais e tornam a condução mais segura, mais confortável e menos cansativa.
Modelos como o Peugeot 3008, o Hyundai TUCSON, o Kia Sportage ou o Mazda CX-60, disponíveis na Cardan, já oferecem sistemas avançados de assistência à condução que representam os primeiros passos rumo à mobilidade do futuro. Na prática, escolher um automóvel moderno é também escolher tecnologia preparada para os próximos anos.

O futuro já começou

Há apenas alguns anos, parecia impossível imaginar um carro capaz de travar sozinho, manter-se na faixa de rodagem ou estacionar sem ajuda do condutor. Hoje, essas funcionalidades fazem parte do nosso dia a dia.
Os carros totalmente autónomos ainda não circulam livremente nas estradas portuguesas, mas a verdade é que o caminho já começou a ser percorrido. Portugal deu os primeiros passos e a tecnologia continua a evoluir a um ritmo impressionante.

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